segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Culpada

Se chove, a culpa é tua, tuas rezas não foram suficientes para fazer sol brilhar.
E se o sofá molhou, a culpa é tua, não tomaste o devido cuidado.
A grana acabou , por culpa tua, gastaste demais.
Estou triste, sem ânimo para viver, tudo culpa tua, deixaste de zelar por mim.
O tesão acabou, também por culpa tua, não foste atraente o bastante.
Um ladrão entrou, os bens levou, sem traves a porta foste tu que deixaste.
Uma telha caiu, pelo vento que soprou, a culpa é tua que não o atacaste.
E só para lembrar, a culpa é minha, coloco-a em quem eu quiser.

domingo, 27 de novembro de 2011

Rafaela

Sou tuas pernas, teus braços, tua voz, teu cérebro...
Sou a segurança que tanto precisas - um tanto insegura.
Dedico a ti, meus dias e noites, minha junventude.
Dou-te todo meu amor e minha vida - foste confiada a mim e é por ti que seguirei, comprometida e certa de que as dores passarão e que, muito em breve, nossa tarefa será cumprida.
Que a deficiência de hoje seja um chamado à valorização do corpo e uma oportunidade única à alma.
Que tenhamos paz, paciêcia, luz para tomar as decisões certas e forças para seguir em frente.
Eu te amo, filha!
 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Chove, e eu quero ficar junto, bem junto, de quem já não está mais junto, que nunca esteve junto, mas está sempre junto.
Ainda bem que vontade é coisa que dá e passa!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Devaneio


Eu gosto...
da cara amarrada, da língua afiada, da barba mal feita
do corpo esguio, do alinho dos dentes , das músicas que ouve
das palavras, do pensamento, do olhar inquieto
das pernas e mãos agitadas, do desassossego
dos lábios, dos passos, do riso, do azedume
Eu gosto dele...
Assim, mesmo sem gostar de mim, mesmo rindo do que sou
E sinto...
falta de quando estávamos tão próximos
saudades das madrugadas que estivemos juntos
Vergonha e arrependimento...

Trilha sonora

Hoje meu dia teve uma adorável trilha sonora - Meu amor, do Chico.  Passei o dia cantarolando, completamente desafinada, descompassada e feliz! Perdão colegas!
Percebi que os momentos difíceis passam mais facilmente quando estou acompanhada de uma boa música. Ui que textinho medonho!

domingo, 2 de outubro de 2011

Ilusões

Iludo-me, crio esperanças insustentáveis. Vejo os fatos repetirem-se diante de mim e insisto em ignorá-los. Insisto em afogá-los, em nome do amor ou de seja o que for. Sou enganada porque permito, porque não quero ver, porque esta cegueira seletiva faz-me bem, exclue-me da obrigação de agir. Se não sei, não preciso fazer nada. Acovardo-me diante da realidade, sou conivente para não tomar decisões e ter atitude, sou irresponsável. Sou preguiçosa e covarde. A tristeza e o sofrimento elevam-me a condição de vítima, quando em verdade sou o algoz.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sou um amontoado de carnes que vive imbecilmente no ciclo ingere - digere - excreta. A ingesta é grande, a digestão lenta e a excreção dolorida. 

domingo, 3 de abril de 2011

Hoje


Sinto-me só.
Sozinha e plenamente acompanhada de mim mesma.
Sinto-me inteira.
Absoluta, sem fragmentos, fendas ou divisões.
Sinto-me leve.
Suave, sem embaraços, livre de pressões.
Sinto-me – e isto basta.

sexta-feira, 25 de março de 2011

30% de sobriedade.


Projetei para o primeiro post, algo apaixonado, delirante, extraído dolorosamente - que convertesse em palavras minhas lágrimas e feridas que há tempos tento curar. Pensei em transpor às palavras as emoções. Eis que nada disso configurou-se e tento, com o discernimento que restou, tecer algo que reflita o que sinto. É difícil escrever, é difícil dar vida às palavras e guiá-las por entre pensamentos, sentimentos e gramática.
Uma vez escrevia sem usar as mãos, como criança que assim brinca ao andar de bicicleta, com a destreza que aquele singular momento proporciona. Hoje já não tenho tal habilidade, mas com jeitinho ainda dou boas voltas com a magrela!
Já tem três dias que estou em tratamento, não ando tão sonolenta e consigo falar um pouco mais. O raciocínio ainda é lento, os sentimentos parecem guardados em uma gaveta e a voz é por demais pastosa... É difícil acreditar que desenvolvi uma doença mental por conta de um esforço exagerado em carregar tudo sozinha. Não consigo dizer o que sinto, tampouco se sinto, sei que estou drogada para que o meu cérebro recupere-se, não gosto, mas preciso consentir. Parece-me que apenas a terça parte de mim está acordada, acredito que seja um adormecimento causado pelos inúmeros remédios. Ah, os remédios... Custo a aceitar que estou usando um antipsicótico, dois antidepressivos, um ansiolítico e mais alguma outra coisa de reserva para uma eventual crise. Sim, estou com a tal depressão maior, crise de pânico, crise de ansiedade e muito em breve, uma grande crise financeira – o custo de um tratamento psiquiátrico adequado é algo em torno dos R$ 440,00 por semana!(duas consultas e remédios). Um valor que minha remuneração de técnico judiciário não comporta por muito tempo! Ah, não tem psiquiatra conveniado ao meu plano de saúde na cidade. O mais próximo fica em Novo Hamburgo, mas como alguém que passa a maior parte do dia na cama vai deslocar-se até lá... Ops, sinais de reclamações no ar... Devo estar melhorando! Aproveito para elencar o rol de proibições do depressivo:
- dirigir;
- sair sozinha (nem pensar);
- ficar sozinha (agora tenho babá 24h);
- ficar na minha casa (estou na mamãe);
- cuidar das minhas filhas (só visitas);
- trabalhar (ops, parte boa!).
Isso sem falar que tenho consulta duas vezes por semana com o psiquiatra e devo ligar para ele todos os dias para fazer um breve relato de como estou, devo tomar os remedinhos na hora certa, dormir e comer na hora certa, ser uma boa menina...
Sorte de vocês que só restaram 30% de sobriedade, caso contrário já teria posto fogo no mundo!
Pelo menos não deixou de ser um post delirante...